sexta-feira, 7 de março de 2014

Cigana da Praia


A Cigana da Praia se apresentou a mim como Sara, mas foi logo dizendo que gosta de ser chamada de Sarita por quem com ela for trabalhar, e conversa como se ainda estivesse vivendo intensamente no plano terrestre. Tem o estilo de andarilha e não cogita a hipótese de mudar seu modo de “vida”. Segue seu rumo com descontração e muita jovialidade de atitudes; sem jamais se prender ao aconchego que denominamos de calor humano, que dirá se deixa seduzir pelos lugares que passa e pelas convenções que os não-ciganos costumam se habituar. Veste-se de prata recebendo a mágica energia lunar, para então elaborar seus encantamentos com rosas brancas e águas perfumadas. O faz próximo às pedras e às areias em frente ao mar.

O contato com Sarita é desembaraçado, direto e cheio de sorrisos. As suas gargalhadas além de descontraídas, são contagiantes; elevando o astral de qualquer pessoa sinta a sua energia e a sua radiação. Ao tratar de amor o primeiro conselho que a Cigana da Praia dá é a respeito das vibrações negativas que os homens e as mulheres insatisfeitos com suas relações amorosas podem acumular, e para neutralizar tais negatividades, Sarita indica um banho de Sal Marinho para abrir todos os rituais recomendados por ela. Suas oferendas constam de espelhos, de velas brancas e pratas, e de rosas brancas e vermelhas. Esta cigana não se apega a nada... Sempre oferta seus presentes dentro de um barquinho à Rainha do Mar.


Mensagem canalizada por mim através da “Minha Cigana” no dia 7 de junho de 2009.
Valéria Fernandes

Cigano Ramires

Na quietude da noite, ao contemplar a Lua magnificamente cheia através das frestas de minha janela, uma inquietação foi tomando conta de mim, mas não pude ver com meus olhos quem havia se aproximado, apenas senti a forte presença cigana. Reconheci que tinha que tocar as Cartas Ciganas, e assim o fiz, e sem perceber já estava em contato com o Cigano Ramires.
Em poucos minutos percebi que Ramires gosta de desafios, de entrar por matas e desbravar as diversas terras com seu punhal em mão, ultrapassando qualquer eventual barreira que cruze seu destino. Não teme os perigos do Sol que encandeasse os olhos, nem a meia-luz da Lua em que pouco se vê. Trabalha para a melhoria de vida da sua gente que até hoje busca um lugar seguro, mas que viaja incessantemente de lá pra cá. Para nós mortais, faz magias de abertura de caminhos e fechamento de brechas que sugam a nossa energia vital. Os encantamentos feitos pelo Cigano Ramires sempre pegam seus opositores de surpresa, os deixando sem entender a ausência dos males por eles emanados. Sua presença transmite segurança e bem-estar, tendo em vista que é um guardião de muitos dos Mistérios Ciganos.
Em sua passagem terrena as mulheres ciganas e as não-ciganas caiam de amores por Ramires, embora ele não prometesse compromisso a nenhuma delas; isso por não desejar focar-se demais no amor carnal. Em seu coração que não mais pertence a esta esfera, reside a caridade e a bondade, e dedica boa parte de seu dia aos espíritos que precisam de luz. Para agradá-lo com oferendas é necessário dá-lo primeiramente uma rosa branca, depois velas na mesma cor, que devem ser acesas sempre em três, formando um triângulo. O formato geométrico citado e o número 3 têm significados místicos para este Cigano.


Mensagem canalizada por mim através das “Cartas Ciganas” no dia 10 de junho de 2009.
Valéria Fernandes
Imagem ilustrativa

A Cigana de Vermelho

Ela é uma cigana de vestido rodado. Parece jovem quando o olhar passeia vago sem deter-se em detalhes. Parece alegre, parece rir meio de tudo e de chorar quando as coisas não tem a menor importância. Quando as coisas são grandes e querem provocar melancolia, ela dança, porque o corpo concentrado e largado no ritmo exorciza as dores - pelo menos foi o que me disse. Nem pensei em duvidar. Conversamos sobre muitas coisas sempre que eu tenho tempo para uma visita. Dentre as coisas que gosta, além da música que é sua alma, estão os cremes, perfumes e rendados xales que ela possa carregar. Nada com peso. E quando conta isso, me olha desdenhosa e francamente como a me dizer que preciso aprender a viver sem os pesos que carrego. Ela também me disse que sua cor favorita é vermelha. Perguntei se não é um pouco vulgar depois de uma certa idade - ela tem aquele semblante indecifrável de quem tem muitos anos. Mas ela riu - aquele riso sem juízo de quem ainda é criança: vermelho só é vulgar se ele não faz parte de você, se ele não te define, senão é como uma segunda pele, me respondeu. Não ousei contestar.


Eu a vi dançando, rodando as saias (imaginei que eram sete) do vestido, olhar penetrante, atirando a cabeça prá trás desafiando uma platéia imaginária. Nessa tarde fria e opaca, a sensualidade cigana que habita essa mulher iluminou o dia, e a sensação de calor tomou conta da sala que pegamos emprestada para nosso encontro marcado. Ela se transformava enquanto girava e parecia ainda mais livre. Como se isso fosse possível.

Ela me disse que mora na rua, assim mesmo, sem eira nem beira, porque paredes e tetos são prisões dissimuladas. Que muda de lá pra cá e de cá pra lá porque arrancar raízes é dolorido na hora de partir e "as partidas, você sabe, são inevitáveis", confidenciou quase num sussurro. Que tem medo do amor porque ele aprisiona mais que as paredes e os tetos e liberta mais do que as ruas - e quem pode viver num inferno desses - perguntou. Mas não esperou pela minha resposta e foi logo dizendo que não tem um nome porque, se fosse assim, seria uma e ela sabe que é um pouco de cada mulher e que cada mulher aspira um pouco dela.

Chamo-a de cigana, simplesmente, e ela, naturalmente, responde. Um dia pedi que lesse minha mão. Ela se ofendeu. Com que covardia eu esperava que ela tivesse as respostas para minhas perguntas? Com que comodidade eu queria que ela me dissesse que tudo estava definido, determinado e que o destino era um deus? Tem uma agressividade nela que me instiga a conhecê-la melhor ao mesmo tempo que ela destila suavidade. Perguntei de onde ela vinha, já que dava a entender que nem sempre sabia para onde ia. E quando ela me respondeu "Madrid", percebi que não era só uma cigana. Ainda que sem endereço, sem rumo e sem nome, ela é espanhola, flamenca e castanholas.
  • Crônica de Claudia Letti
Tela de Maria do Carmo da Hora

Carta Cigana - A Lua

A carta cigana A Lua muitas vezes assusta quando sai em uma tiragem. Tem fama de não ser uma das melhores lâminas para noticiar bons acontecimentos, boas vivências ou bons estados de espírito. Quando isto acontece, uma boa reflexão pode ser feita para desmistificar somente seu lado negativo.

A Lua está ligada à noite, aos sonhos, a saudade, aos mistérios do inconsciente e da intuição, o que nos leva a pensar em romances, em poesias, em percepções profundas e no autoconhecimento.

Quando estamos conectados com uma energia, não precisamos obrigatoriamente senti-la apenas em seu aspecto negativo, ao contrário, é um momento oportuno para nos ligarmos em toda sua profundidade e fazer o possível para sentir o que tem de positivo nessas forças.



Em uma avaliação bem feita sobre as fases da lua, temos boas indicações de como agir, e, desta forma, nos ”programarmos” para usufruirmos de seu lado mais objetivo e evitarmos os temidos medos e incertezas que obscurecem os sentidos.

A Lua vem com a noite, a noite indica calma, tranquilidade, silêncio; um bom momento para ponderar todas as suas influências, sejam elas construtivas ou não, e sair de possíveis inseguranças, confusões de pensamentos e ansiedades temerosas.

Em alguns baralhos esta carta tem o nome de As Honrarias, sugerindo que interpretemos glória e reconhecimento pelas lutas e batalhas do cotidiano. As honrarias também podem ser vista nos rituais místicos e esotéricos do universo de quem consulta este oráculo.

Vale ressaltar que, quando tiramos a Lua para no guiar ou quando ela aparece em uma consulta, esta surge orientar, mostrar as probabilidades e possibilidades que possam nos ajudar, e não nos confundir.
Valéria Fernandes

Cigano Gonçalo

Seus adereços
Gonçalo usava na cabeça um lenço vermelho amarrado para o lado esquerdo. Na orelha ele trazia uma pequena argola de ouro, e no pescoço, um cordão de ouro com uma medalha antiga de seu clã. No dedo anelar da mão direita ele trazia um anel de ouro com um rubi cercado por vários brilhantes minúsculos.


  • Sua magia
Gonçalo gostava de fazer magia com as cartas de baralho para amarrar um casal. Ele pegava as cartas valete e damas de ouros, colocando-as uma de frente para outra e amarrando-as com uma fita vermelha e uma amarela. Em seguida, tirava a tampa de melão grande, com uma faca (choori) virgem, e dentro colocava as duas cartas amarradas, acrescentando um punhado de açúcar cristal. Então, tampava o melão com o pedaço retirado e, em cima dele, espetava um espelho quadrado em pé. Depois, levava essa magia para um bosque e entregava à força da natureza para fazer essa união.
Texto do livro Ciganos do passado, espíritos do presente
Tela de Maria do Carmo da Hora

Cigana Nissa


Nissa, a espanhola, era morena queimada de sol, de olhos esverdeados e cabelos castanhos. Essa cigana foi, e continuará sempre sendo, muito religiosa.

Seus adereços

Usava na cabeça um lenço vermelho. Nas orelhas trazia argolas de ouro; no pescoço, cordões de pedras coloridas; e, no dedo anelar da mão esquerda, uma grossa aliança em ouro.
CignaNisssa
Sua magia

Essa cigana gostava muito de flores-do-campo, principalmente as de cor vermelha. Ela não dispensava um saquinho dourado, no qual trazia suas cartas de símbolos antigos e uma pedra de quartzo azul, com que fazia magia.

Hoje ela é um espírito de muita luz, sua mensagem quando chega à Terra é esta: “Deus Nosso Senhor é o miolo do mundo e nós, espíritos, somos apenas um mensageiro aqui na Terra. Sem sua permissão nós não somos nada.”

A fase da Lua de sua preferência era a cheia.
  • Texto do livro Ciganos do passado, espíritos do presente
    Desconheço a autoria da imagem

Cigana Carmem



A Cigana Carmem é natural da Espanha e inspirou vários amores pelas terras que visitou. Além de ser uma exímia dançarina de flamenco, é complacente com todos os corações feridos e apaixonados. Faz tudo que está a seu alcance para acolher e consolar as pessoas que, por algum motivo, perderam ou não conquistaram seus amores; muito embora não tenha tido nenhuma dificuldade na arte da sedução. Vaidosa por natureza, jamais aparece em público deixando de usar seus belos adereços, e claro, sem o seu leque e seu lenço, que tão bem caracterizam esta cigana. Toca castanholas e sua cor de vela é vermelha, tal como é retratada em suas vestes pelos mais diversos artistas. A alegria é seu lema, e a beleza física é apenas mais um de seus doces encantos.
Valéria Fernandes
Tela de Maria do Carmo da Hora